"O Brasil tem saída" - Um panorama do empreendedorismo no país

Empreender no Brasil: tá aí uma coisa que a gente ouve muito, e estamos fazendo cada vez mais.


Nos últimos anos, o país passou por situações econômicas muito difíceis, não é novidade, mas você sabia que foi também o período em que o país mais se desenvolveu em termos de empreendedorismo? Em 2015, para se ter uma ideia, o Brasil ocupava a primeira posição quando o assunto era a abertura de um negócio, segundo o resultado da pesquisa GEM (Global Entrepreneuship Monitor).


É fato: não existe momento melhor para desenvolver o potencial criativo/empreendedor do que em tempos de crise e recessão. As contenções de gastos, diminuição de renda e necessidade de mudança propiciam o surgimento de ideias para ganhar um dinheiro extra, e muitas delas são verdadeiros bilhetes de loteria premiados.


A 99, empresa e aplicativo de rede de transporte fundada em 2012, tornou-se o primeiro unicórnio brasileiro (jargão que designa startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão). A compra dela pela chinesa Didi Chuxing, em janeiro deste ano, colocou o Brasil em um novo patamar, e foi logo seguida pela elevação de outras duas startups brasileiras ao mesmo nível (PagSeguro e Nubank), mostrando que inovações lucrativas não são exclusividade do Vale do Silício.



Sobre o assunto, Carlos Kokron, vice-presidente e diretor executivo da divisão da Qualcomm Ventures para a América Latina, que apostou desde cedo na 99, concedeu uma entrevista à revista época:


a venda da 99 valida a importância de termos uma plataforma global. Você tem pessoas criando soluções e novos negócios globalmente. Mostra que vale a pena investir no Brasil. Tivemos logo em seguida também a venda da Strider (startup brasileira que desenvolve inovações tecnológicas para o mercado agrícola), que foi mais uma validação enorme. As tecnologias móveis do mundo conectado são uma realidade global, não monopólio do Vale do Silício”.

Quando se leva em conta que, para 2018, a previsão é de que cerca de 1 milhão de empregos sejam criados por microempresas e microempresários, segundo estudo do banco Santander, logo se percebe o potencial e a criatividade desse setor de desenvolvimento socioeconômico. 3 em cada 10 brasileiros com idade entre 18 e 64 anos têm um negócio ou estão trabalhando no desenvolvimento de suas próprias empresas e, para isso, precisam ser inovadores.


Eu atuo no mercado desde 1999. Percebi que a coisa começou a tomar uma forma diferente uns dez anos atrás, e está acelerando. Você tem várias empresas levantando um capital substancial ultimamente. Quando você cria valor com algo diferenciado, mais cedo ou mais tarde vai chamar a atenção de compradores”.

Inovar é pensar fora da caixa, fazer o que os outros não estão fazendo, estar à frente do seu tempo. É isso que atraí os investidores.


Tem de responder bem a pergunta: se eu der certo, como posso ajudar vocês a criar novas soluções móveis? Gostamos de empreendedores com uma história bem articulada. Tem que conhecer o problema a ser resolvido e as alternativas que existem. Tem que articular o diferencial e o modelo de negócios”.

No Brasil, empreender é mais difícil. São complicações de tributação, falta de certeza no sistema jurídico, quantidade de capital bem menor, e por aí vai. Por isso, avaliar o investimento antes é fundamental.


a gente investe por várias razões. Primeiro, investimos para obter resultados financeiros. Portanto, é importante ter um crivo alto, para apoiar empresas que irão crescer e se tornar independentes. Queremos saber se os empreendedores estão criando um bom negócio. Fazemos as mesmas perguntas que todo bom investidor faria: a empresa pode crescer bastante? Terá uma margem boa? Está em um mercado grande? Tem uma equipe diferenciada? Se as respostas forem "sim", vem a próxima pergunta: é um bom deal, uma boa transação? O valor da ação vale a pena o risco? Além dessas questões, a Qualcomm tem outra: se o negócio der certo, estará alinhado com os nossos objetivos estratégicos de acelerar a criação ou adoção de novas tecnologias?”.

De acordo com o empresário, as áreas de finetechs (uso de novas tecnologias por empresas do setor financeiro para entrega de seus serviços) e “internet das coisas” (para resolução de problemas nas indústrias, agricultura e em cidades inteligentes) são as com maior potencial de crescimento no país, e apostar em soluções tecnológicas melhores e mais baratas para problemas simples do dia a dia pode ser o caminho para o desenvolvimento de startups de sucesso.


Do ponto de vista estratégico, a gente investe para acelerar a criação de novas tecnologias e para aprender sobre novas tendências”.

Por fim, existem vários perfis de empreendedores: independentes, desbravadores, provedores, antenados, arrojados, empolgados, etc. A verdade é que o caminho a ser seguido é árduo, e pode trazer resultados inesperados; porém, para manter a roda girando, é preciso enfrentar as adversidades e trabalhar duro para alcançar o sucesso – e, com ele, melhorar o futuro do país inteiro.

81 visualizações