Nescafé: uma alternativa à um produto pouco durável e primário

Café nem sempre teve a saída que tem hoje, e foi como uma alternativa a ele que criou-se o Nescafé – mais prático, rentável e durável.


A década de 30 foi marcada pela recessão econômica, que teve seus efeitos também em solo brasileiro. A crise de 1929 contribuiu para a diminuição do consumo mundial de café, e isto afetou diretamente os produtores Brasileiros que, à época, tinham a maior produção do grão no planeta.


Milhões de sacos de café estavam estragando ou sendo destruídos.


E isso perdurou por quase uma década.


O governo brasileiro ainda em 29 desafiou a Nestlé a ajudar a preservar os excedentes de café no Brasil, fazendo com o grão o mesmo que a empresa já fazia com o leite: transformar em pó. No entanto, apenas em 1938 o primeiro café solúvel foi lançado, o tradicional Nescafé, alcançando rápido sucesso na Europa e nos EUA.

Em 1939, com o estouro da 2ª Guerra Mundial, o consumo e comercialização do Nescafé passou a ser comprometido. Foi com a entrada dos Estados Unidos da América no conflito que o Nescafé expandiu, como alimento básico nas rações de alimento das forças norte-americanas. Já no pós-guerra, o Nescafé se popularizou e caiu no gosto de mais de 100 países.



Uma curiosidade: as tropas americanas se tornaram embaixadoras da marca por conta da adoração que tinham ao Nescafé. A marca foi tão longe que, além de acompanhar Edmund Hillary e Tenzing Norgay na expedição recorde ao Monte Everest, em 1953, o vidrinho de Nescafé juntou-se a tripulação da Apollo 11, em 1969, e foi o primeiro café a pousar na lua.



Fabricado pela primeira vez na Suíça, o produto só chegou ao Brasil em 1953, dada a grande pressão dos fabricantes de cafés torrados e moídos – sim, mesmo sendo uma ideia originária do país.


O café solúvel é mais uma das ideias brasileiras que foram ganhar corpo no exterior.

Café rápido, fácil e delicioso – basta adicionar água. A praticidade foi com certeza fator decisivo para o sucesso do Nescafé (e dos cafés solúveis em geral), pois não apenas tonam a durabilidade do produto original (grão) maior, como também aumentam a rentabilidade da cadeia produtiva, entregando maior valor ao consumidor final.

Tantas são as maneiras de se inovar em campos inexplorados, que a Nescafé expandiu novamente com o lançamento da linha Dolce Gusto, em 2006, constituído por máquinas de bebidas com recurso de cápsulas, que proporcionam diversos sabores de café – expresso, lungo, mocca, cappuccino, latte, etc.


Aqui vale um destaque a uma estratégia adotada pela marca: na compra de várias cápsulas, que viram uma dependência do consumidor, você ganha a máquina, o que fideliza o cliente.


Atualmente, a Nescafé é a marca mais valiosa da Nestlé, e se mantém na preferência da maior parte da população mundial, sendo encontrado em mais de 180 países nas diversas formas em que se encontra o café em pó Nescafé hoje - incluindo no tradicional vidrinho de tampa vermelha.

20 visualizações