Covid-19 & a nova produtividade disfarçada de ócio criativo

Atualizado: Mai 11

Se você está lendo esse texto é porque provavelmente está em casa. De quarentena. De pijama. Passou álcool gel antes de mexer no celular?


Desde o dia 16 de março diversas instituições suspenderam as atividades in loco: escolas e universidades, em sua maioria, seguidas por algumas empresas que aderiram ao home office, para que então a maioria das cidades decretasse quarentena já na semana do dia 24 – após mais de 1500 casos confirmados no país de Covid-19 (vírus que já colocou 20% da população mundial em isolamento social).


Muita informação nesse último parágrafo? O que você leu ali nem se compara a quantidade de informações diárias que você está recebendo agora que está em casa, conectado ao celular a maior parte do dia. Quantas dicas do que fazer você já viu nos stories? Quantas lives sobre psicologia/autoconhecimento/autoajuda você acompanhou nos últimos dias? Quantas vezes você pesquisou se dor de cabeça era sintoma do Coronavírus essa semana? Agora temos todo o tempo do dia para fazermos o que bem quisermos. Bem, até ali pelo menos.


Nas redes-sociais, pessoas compartilham seus novos estilos de dia-a-dia: acordar, café, exercícios, leitura, home office, pausa para cozinhar o almoço, arrumar a casa, assistir série, pausa para jantar, mais um pouco de Netflix e dormir (quando já não se fez isso em algum outro ponto do dia). O estilo de home office já está sendo adotado inclusive por quem não tinha nenhum trabalho antes da pandemia mundial.


Sim, o Coronavírus está fazendo surgir novos negócios (online, é claro, em maioria). Com tanto tempo livre precisa-se encontrar algo para fazer, pois como a quarentena mostrou, ninguém consegue ficar “sem fazer nada” por muito tempo – não interessa o quanto você pedia por isso antes. Antes todo mundo queria ficar em casa. Agora não pode sair.


Poder. Acredito que essa seja a grande questão. Há 6 meses atrás, quem não gostaria de poder ficar em casa uma semana inteira? Acordar a hora que quisesse, ler, maratonar séries na Netflix. Parecia o sonho de qualquer estudante e jovem trabalhador. Mas quando se tira a palavra poder, e você se vê na obrigação? Você tem que ficar em casa. Não pode sair. Você cansa de descansar.


É também nesse momento que você começa a procurar coisas que te deem prazer em fazer (porque, afinal, você tem tempo para fazer o que quer, e não necessariamente o que precisa). Você pode criar uma conta no Instagram e compartilhar suas receitas, ou frases do que fazer na quarentena, ou o vídeo do seu gato, que logo viraliza e te dá 10.000 seguidores (aqui você já pode criar um site e colocar o arrasta pra cima nos stories, visando maiores visualizações e quem sabe conseguir algum dinheiro pelo google ad service).


Você pode começar um curso online gratuito, como os que estão sendo ofertados em diversas plataformas como Udemy, FGV, Projetou, entre outros, e usar o tempo para se qualificar e lançar currículos. Ou você pode escrever um livro e publicá-lo na Amazon, e ganhar uma percentagem sobre as vendas.


É a nova produtividade disfarçada de ócio criativo. É algo que acontece geralmente quando você tem bastante tempo livre, mas nem sempre perdura. É algo que você pode estar fazendo por hobby (criando artes preto no branco com ideias do que fazer na quarentena), que quando vê viraliza e te dá uma oportunidade de negócio (trabalhar em algo que você gosta, ganhando dinheiro). Nem toda essa produtividade vai se transformar num negócio, mas não custa tentar, não é mesmo? Ainda mais quando se tem tempo para isso.


Para você somar as horas que já passou no youtube no seu celular, aqui vão alguns de vídeos muito interessantes com algumas sugestões do que você pode fazer nesse perídio recluso em casa (desde maneiras de ganhar dinheiro até como mexer no photoshop):





Continuando: ou você pode não fazer nada e simplesmente usar esse tempo para reflexão, e aprender muito sobre si mesmo (como você funciona, em qual horário rende mais realizar tal tarefa, quanto de sono é o ideal para você). O importante não é se manter ocupado, mas se manter são.


Todo esse surto de produtividade disfarçada de ócio criativo nem sempre é o que aparenta ser, e não deve servir de parâmetro para o seu desenvolvimento. Tudo bem não aprender uma língua por dia na quarentena, ok?


Quarentena não é férias, mas também não é razão para fazer tudo ao mesmo tempo e utilizar todo o tempo que se tem para fazer coisas que seriam feitas de um modo ou de outro. Por isso:


  • Não precisa acordar as 6h só porque era esse horário que você acordava para dar tempo de chegar na aula sem atrasos. Acorde às 8h, faça um cafezinho, e vá lanchando e saboreando o café ao longo da manhã, durante as pausas nas atividades que você tem/quer fazer;

  • Assista as séries que fazia meses que você queria ver, e tente arranjar um tempo para acompanhar um curso ou dois ao longo do dia (sem estresse, no horário que achar melhor);

  • Experimente coisas novas: uma receita que você queria provar, uma nova ferramenta online de gerenciamento de projetos, um aplicativo que otimize seu tempo, etc;

  • Mantenha-se informado, mas ocupe sua cabeça com outras notícias além do surto de Covid-19 (como estão indo o índice de vendas online? Quais nichos de mercado estão crescendo com a quarentena? Em suma, não se encha apenas de notícias ruins;

  • Ajude quem puder de onde você está: peça comida de restaurantes pequenos que abriram o delivery para tentar manter a renda; se possível, continue depositando para a sua diarista, manicure, jardineiro. Faça uma limpa na sua despensa e no seu guarda-roupa (comida que não está vencida e você não irá consumir você pode deixar em uma caixa ao lado do container do lixo para os garis, por exemplo).


Faça a sua parte pelo todo, e faça o que quiser por você. Mas, lembre-se, aproveite esse tempo com aquilo que lhe trará felicidade e frutos para colher quando a tempestade passar.


#stayhome e Desenvolva. Impacte. i9.


*Esse artigo rela a experiência da quarentena sob a óptica de quem está preso em quarentena sem home office específico. Não menciona em nenhum momento os trabalhadores que não podem, sob nenhuma hipótese, parar. A eles, todo o nosso respeito.


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